22 de junho de 2022

Baixão é “Gonzagão”: arraial comunitário tem circo, cangaço e muito público

Comunidade homenageou o Rei do Baião, que há 110 anos nascia para deixar sua marca na música brasileira

Fotos: Fábio Ferreira – Ascom Arapiraca.

A música brasileira não seria a mesma sem Luiz Gonzaga do Nascimento, o “Gonzagão”. O cantor e compositor pernambucano entoou por todo o país as vivências do nordestino e deixou eternizada a sua marca na cultura popular. Em mais um ano, a Rua Antônio Ferreira Sampaio, no bairro Baixão, vira um canto de homenagem a Luiz Gonzaga em Arapiraca.

A rua vestiu a roupa típica do São João na noite desta terça-feira (21). Balões e mandacarus gigantes embelezaram o caminho até o palhoção. O público não deixou a desejar e lotou o trecho do bairro para prestigiar o chamativo evento.

A presidente da Associação dos amigos e moradores do bairro Baixão, Nadja Cavalcante, explica que a homenagem ao rei do forró já é a marca deles. “Desde 2009, a gente vem fazendo a quadrilha Gonzagão aqui no baixão. Quando se fala em quadrilha, se fala em Gonzagão. Ele virou um símbolo. Todos ficam na expectativa, e estavam ainda mais depois dessa pandemia. Graças a Deus, depois de dois anos o Luciano Barbosa voltou e voltou mostrando que veio pra ficar”, diz a moradora.

Além da quadrilha do bairro, a “Gonzagão, a festa no Baixão passou pelos pequenos cangaceiros, pela sanfona, pelo circo da cidade de Belém da quadrilha Coração Nordestino – com palhaço, mágica, perna de pau, pipoca e algodão doce -, e também pela flor do mandacaru, trazida pelo grupo Vale do Mandacaru.

Pequenas juninas

No “Arraiá do Gonzagão”, a tradição junina começa cedo. Meninas de 5, 6, 7 e 8 anos empunham peneiras enfeitadas com fitilhos coloridos. Elas aguardam ansiosas para entrar no palhoção e brilhar para o público. Uma delas, a sorridente Maria Natália, conta que estava “muito nervosa” para o momento tão esperado. A menina de fita no cabelo disse que o grupo, que ainda não tem nome, ensaiou pouco, mas ela praticou a dança em casa.

Durante a apresentação das pequenas, uma ainda menor chama atenção. Vitória, de 3 anos, quase 4, como diz a avó materna, fez sucesso à beira do grupo. A pequena rodou o vestido e mandou beijinho para a comissão julgadora, arracando gargalhadas da plateia e fazendo explodir o coração da avó.

“É uma alegria muito grande, não tem explicação. Eu amo as quadrilhas, tudo que vem da cultura, do artesenato, do popular, eu amo. Eu tenho minhas outras netas que já estão grandes, e agora tenho a minha pequena dançando desse jeito”, diz Berenice dos Santos.

A avó conta que a habilidade e a vontade de aprender o São João veio dela, “ninguém ensinou” – a não ser alguns vídeos no YouTube que ela mesmo pesquisou em casa. A avó também menciona que a pequena já pediu para “comprar uma bota pra ver o João Gomes”. O vestido também já está sendo providenciado para o dia 30 de junho, no Lago da Perucaba.

Texto: Mácio Amaral.

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