6 de março de 2017

Agentes de trânsito de Arapiraca começam semana com palestra sobre violência contra a Mulher

As comemorações a respeito do Dia Internacional da Mulher acontecem em várias repartições da Prefeitura de Arapiraca, com apoio da Secretaria da Assistência Social e Políticas para a Mulher.

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Na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), esta segunda-feira (6) deu início à semana com uma palestra sobre “Violência Moral e Violência Sexual” para os agentes de autoridade de trânsito (AAT), ministrada pela psicopedagoga Betty Jane, com apoio da psicóloga Marcela Braz.

O evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que será celebrado na próxima quarta-feira (8), mostrou a realidade da violência contra a mulher no Brasil.

Betty Jane revelou que 99% dos agressores à mulher são homens, já que 1% restante se refere a agressão de mulheres contra a própria mulher.

“O Brasil é o quinto país do mundo em violência contra a mulher, que é uma posição no ranking mundial assustadora e sabemos que há cinco espancamentos à mulher a cada dois minutos em nosso país”, afirmou Betty Jane.

A psicopedagoga, que foi subsecretária da Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher de 2012 a 2016, revelou ainda que o Centro de Referência de Apoio à Mulher em Situação de Violência (CRAMSV) atendeu em 2016, aqui em Arapiraca, 742 mulheres. E desde que foi criado, em setembro de 2012, o CRAMSV deu apoio a 2.500 mulheres em situação de violência.

“Esses dados são importantes para conscientizar os agentes de trânsito, que são homens em sua maioria, para que eles possam olhar a mulher com respeito e aprendam a valorizar cada mulher que tem o seu próprio jeito de ser e que merece todo o respeito de qualquer um”, disse Betty Jane.

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A psicopedagoga falou também sobre a “cultura do estupro” em que a mulher é vítima e é considerada culpada pela situação do estupro. Betty Jane explicou que essa cultura aconteceu pelo traje que a mulher veste ou pela bebida que ela toma ao frequentar um bar ou restaurante, por exemplo.

Betty Jane esclareceu também sobre a Lei Nº 12.845 de 2013, que garante atendimento psicossocial especializado à mulher em hospitais, além do número 180 que recebe denúncias de violência à mulher.

Para o agente de trânsito Gildázio Oliveira, a palestra foi muito esclarecedora e mostrou uma dura realidade sofrida pela mulher e que esta cultura machista deve ser mudada de verdade.

“Esse tipo de esclarecimento para nós que somos homens e pai de família é muito importante porque podemos manter um diálogo dentro de nossa casa e orientar nossos filhos sobre essa questão do preconceito e da violência contra a mulher”, relatou Gildázio Oliveira.

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A palestra sobre “Violência Moral e Violência Sexual”, no auditório da SMTT, será realizada nesta terça-feira (7) para mais uma turma de agentes de autoridade de trânsito e na quarta-feira (8) a palestra será para os agentes de trânsito, das 7 às 8h, e das 10h às 11h, para o pessoal administrativo. Além de uma série de comemorações da Prefeitura de Arapiraca para combater a violência contra a mulher.

História do Dia Internacional da Mulher

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O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos Estados Unidos e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até as primeiras décadas do XX.

No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizeram greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres.

O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia.

No dia 25 de março de 1911, cerca de 150 trabalhadores (maioria mulheres) morreram queimados num incêndio, numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local.

Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos.